TESE

Autora: Camila Veneo Campos Fonseca | Orientação: Rodrigo Lanna Franco da Silveira | Co-orientação: Célio Hiratuka

A falta de consenso sobre quais investidores teriam um perfil de mais curto ou longo prazo, somada à incipiente literatura tanto sobre os elementos condicionantes do modo de atuação dos investidores institucionais em economias emergentes (EE) quanto sobre o portfólio e influência dos mesmos no âmbito corporativo brasileiro, figura entre as justificativas para o desenvolvimento desta pesquisa.

O objetivo principal é mapear a atuação e avaliar a influência dos investidores institucionais no mercado acionário brasileiro. Para tanto, por um lado, é proposta uma sistematização da literatura a respeito da financeirização em EE. Por outro lado, recorre-se à literatura de finanças para questionar a premissa de que os investidores institucionais formam um grupo homogêneo de agentes.

Tais análises são, então, incorporadas na avaliação dos impactos da participação acionária dos investidores institucionais sobre estratégias corporativas das empresas brasileiras investidas. A hipótese é que a alocação de recursos em CNF, assim como o tipo de influência exercida por investidores institucionais sobre as mesmas, não é uniforme, dependendo tanto das características e perfil de investimento de cada investidor quanto do quadro institucional do país em que atuam.

A análise da atuação dos investidores institucionais em EE, em particular, no Brasil, forneceu indícios de que o diferencial de juros, de câmbio e de retorno entre o investimento produtivo e o financeiro estão entre os principais condicionantes da alocação do portfólio destes agentes, apesar da influência sobre as CNF depender do perfil de investimento de cada investidor.

A partir da aplicação da análise fatorial e de cluster, a heterogeneidade dos investidores institucionais foi confirmada, tendo sido delimitados quatro clusters. Além disso, foi estimado um modelo de dados em painel pelo Método dos Momentos Generalizado Sistêmico (GMM-Sys), a partir de uma amostra de 261 empresas, no período 2010-2016.

Os resultados indicaram que os investidores institucionais, sem distinção, não afetam a política de dividendos, mas têm uma influência positiva sobre os investimentos financeiros. Embora investidores internacionais, caracterizados por uma visão de mais curto prazo, e investidores associados a uma potencial estratégia de mais longo prazo não tenham tido influência sobre a financeirização das estratégias corporativas, os investidores especializados, caracterizados por posições intermediárias - principalmente ‘asset managers’ privados, nacionais e independentes -, demonstraram-se determinantes de maiores investimentos financeiros e de menores pagamentos de dividendos.

Baixe a tese completa aqui. http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/334028/1/Fonseca_CamilaVeneoCampos_D.pdf