A dissertação “Derivativos climáticos no Brasil: uma análise para gestão de risco da produção de soja”, de autoria de Gian Lucca Raucci, foi premiada como a melhor Dissertação de Mestrado em Administração Rural, no 57º Congresso Sober 2019, realizado em Ilhés (BA) durante os dias 21 e 25 de julho. O trabalho vitorioso foi orientado pelo professor Rodrigo Lanna (IE-Unicamp) e co-orientado pelo professor Daniel Capitani (FCA - Unicamp), recebeu no congresso da Sober o prêmio Prof. Guaracy Vieira.

 Conheça o trabalho premiado, já disponível no repositório da Unicamp (http://bit.ly/32SwzFZ) . Veja abaixo o resumo da pesquisa:

“A atividade agropecuária está exposta a uma série de riscos. A variação nos preços das commodities e variações climáticas atípicas impactam diretamente a receita e custos do produtor, apontando para a necessidade do uso de instrumentos de gestão capazes de minimizar tais efeitos.

Os derivativos climáticos (pluviométricos e de temperatura) se colocam como alternativa para o gerenciamento do risco de queda da produtividade em culturas agrícolas. Tais instrumentos possuem vantagens frente aos seguros agrícolas disponíveis, uma vez que não estão sujeitos aos problemas de risco moral e seleção adversa. Frente ao peso do setor agrícola na economia brasileira, o estudo de novos instrumentos de gestão de risco se mostra fundamental.

Neste sentido, o objetivo deste trabalho é analisar a utilização dos contratos de derivativos climáticos como instrumentos de gestão de risco no mercado agrícola brasileiro, tendo como foco a cultura de soja no estado do Rio Grande do Sul.

A presente pesquisa ganha relevância ao estruturar novos mecanismos de proteção à principal cultura exportadora nacional. Através da estruturação de uma opção de venda (put) pluviométrica com dois índices distintos (pesos iguais e ponderado pelas etapas de crescimento da planta) baseados na pluviosidade diária da área em estudo.

A precificação do contrato se deu através do método de modelagem de índice (index modeling), utilizando-se a distribuição estimada dos payoffs para o cálculo do prêmio justo do contrato. Com a utilização do contrato, obteve-se redução da variabilidade da receita por hectare do produtor de soja, em torno de 30% no período analisado, sem sensível redução em sua receita média.

O prêmio do contrato variou entre 10% e 15% da receita por hectare, dependendo da estrutura contratual utilizada. Dessa forma, apesar de possuir custo elevado para o produtor a contratação de um derivativo climático por parte do produtor pode se mostrar um instrumento relevante de

controle do risco de produção. Por outro lado, atenção tem de ser dada a sustentabilidade financeira do contrato, tendo em vista a elevada relação indenizações-prêmio apresentada no período analisado.