Fernando Nogueira da Costa

Estas memórias constituem uma autobiografia intelectual, configurando-se como uma narrativa simultaneamente reflexiva, didática e pessoal. Adoto a forma de um relato analítico e crítico, dando conta do meu desenvolvimento como aluno e professor nos aspectos didático e científico, tendo como base os estudos e as pesquisas realizados mais recentemente em Economia. Recordo os acontecimentos mais marcantes da minha trajetória acadêmico-profissional no IE-UNICAMP.

A história particular de cada um de nós se entretece em uma história mais envolvente da nossa coletividade ou instituição. Assim, ressalto as fontes e as marcas das influências sofridas, das trocas de ideias realizadas com outras pessoas, especialmente, com os professores da Escola de Campinas. Saliento os mentores mais influentes e algumas situações culturais e políticas vivenciadas. Friso, brevemente, meus posicionamentos teóricos e/ou práticos assumidos a cada momento. Estas memórias destacam a evolução recente do meu método de Ensino em Economia Interdisciplinar.

O diferente neste livro de memórias institucionais, em forma, é a estrutura de apresentação sob forma de crônicas pessoais ou autobiográficas. Em conteúdo, é a busca de Ensino da integração entre a Microeconomia e a Macroeconomia por meio de uma visão holística e multidisciplinar com o uso de leitura, cinema e música – meus hobbies – como recursos didáticos.

Contar ou compartilhar histórias pessoais a nós mesmos, sobre nós mesmos, com a criação de uma narrativa a partir dos eventos da nossa vida tem o benefício de trazer luz e entender como nos tornamos quem somos – e controlar nosso ego.

Esta é uma descoberta muito recente na minha terceira-idade. É, porém, um conhecimento universal há milênios. Os anciãos têm o dever de compartilhar experiências vivenciadas com os mais novos.

Somos autores de nossa história. Podemos mudar a forma como a contamos. Não é simplesmente fazer uma listagem de eventos, não analítica. Podemos editar, interpretar e recontar nossas histórias. Mesmo limitados pelos fatos experimentados, a edição da nossa história dá significado à nossa vida.

A “história redentora”, quando o “mal” (graduação ortodoxa) é redimido pelo “bem” (pós-graduação heterodoxa), serve de incentivo aos outros. Este é um sentido para este resgate de minhas memórias pessoais quanto à aprendizagem e ao ensino de Economia.

Espero agradar a todos os leitores, sejam os estudantes e profissionais de Economia, sejam os potenciais interessados. Afinal, são memórias da formação de uma corrente de pensamento socioeconômico brasileiro. Sou ex-aluno da segunda turma do Mestrado da Escola de Campinas, iniciada em 1975, e professor contratado desde 1985.

Por fim, destaco os anexos dos capítulos. Desde o Manifesto da Tropicalização Antropofágica Miscigenada até o Manifesto Pós-Autista: Carta Aberta dos Estudantes aos Responsáveis pelo Ensino de Economia, passando pelo Diagnóstico dos Cursos de Economia e da Profissão no Brasil, são documentos capazes de interessar os leigos, os estudantes e os economistas no exercício da profissão, inclusive os órgãos de representação como os Conselhos, Sindicatos e Ordens.

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Foto: Daniel Quitério