Dom16122018

Valor Econômico - China contra-ataca e vai sobretaxar US$ 60 bilhões em produtos dos EUA

18/09/2018 - 10:57 - Valor Econômico

China contra-ataca e vai sobretaxar US$ 60 bilhões em produtos dos EUA

PEQUIM - (Atualizada às 12h25) A China anunciou nesta terça-feira novas tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos, em resposta à última iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor sobretaxas sobre US$ 200 bilhões em bens chineses.

O Ministério das Finanças chinês avisou que vai levar adiante os planos anunciados em agosto para colocar sobretaxas de 5% e 10% sobre 5,207 mil produtos dos EUA. A lista divulgada em agosto incluía café, mel e químicos industriais. A Pasta acrescentou que ainda está pronta para negociar um fim das tensões comerciais.

O aumento visa diminuir "o atrito comercial" e o "unilateralismo e protecionismo dos Estados Unidos", apontou o ministério em nota em sua página eletrônica. O órgão apelou "para o diálogo pragmático" para "salvaguardar conjuntamente o pincípio de livre comércio e o sistema comercial multilateral".

Além da retaliação, o governo chinês anunciou ainda que vai complementar a queixa já feita na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as taxas americanas, de forma a incluir as novas alíquotas anunciadas ontem por Trump. A China alega que as medidas - que logo afetarão US$ 250 bilhões em produtos do país - violam as regras do comércio internacional.

Um porta-voz da OMC disse que a organização ainda não recebeu o texto da queixa atualizada. Uma vez recebido o pedido, será aberto um prazo de 60 dias para consultas sobre o assunto. Se os EUA e a China não conseguirem chegar a uma solução amigável dentro desse período, a China poderá então solicitar ao órgão de solução de controvérsias da OMC que investigue o caso.

Na segunda-feira, a administração Trump anunciou que as sobretaxas sobre cerca de 5 mil bens chineses vão começar em 10% a partir do dia 24 de setembro, subindo para 25% em janeiro de 2019 se Pequim se recusar a oferecer concessões comerciais. Os americanos alegam que a China desrespeita direitos de propriedade intelectual e pratica políticas de transferência forçada de tecnologia. As novas tarifas chinesas também vão entrar em vigor no dia 24.

No início desta terça-feira, o Ministério do Comércio da China disse que a iniciativa do presidente americano "traz nova incerteza sobre as negociações", mas não revelou se Pequim pode se retirar das tratativas propostas na semana passada por Washington.

Amcham na China

O presidente da Câmara de Comércio dos EUA (Amcham) na China, William Zarit, declarou por meio de comunicado que Washington está subestimando a capacidade de Pequim enfrentar a guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump.

“Ao contrário da visão de Washington, a China pode – e irá – se embrenhar na disputa e não somos otimistas sobre as perspectivas de uma resolução a curto prazo”, disse Zarit. “Ninguém sairá vitorioso desse círculo contraproducente”, acrescentou, pedindo que os dois governos negociem.

Segundo um levantamento recente da própria Amcham China com a Amcham Xangai, várias companhias americanas com operação no país asiático já relatam crescentes preocupações com as retaliações e dizem ter identificados nos últimos meses barreiras não comerciais, incluindo inspeções e lentidão no processo aduaneiro.

Em relação ao que até então era a possibilidade de os EUA lançarem uma nova rodada de tarifas sobre mais US$ 200 bilhões de produtos chineses, o que aconteceu na última segunda, 74,3% das empresas americanas consultadas pela pesquisa acreditavam que sofrerão um “forte impacto negativo”. E 67,6% creem que também sofrerão “forte impacto negativo” com a retaliação chinesa sobre mais US$ 60 bilhões em importações de bens americanos, medida que também foi confirmada nesta terça-feira.